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10 julho 2018

OS ULTRAJOVENS

Hotéis, lojas de departamentos, cadeias de restaurantes, automóveis, joias, guardanapos, canudinhos, programas de fidelidade, cartões de credito, jogos de azar, bancos, amaciantes de roupa, casa própria, casamento estável, viagens de cruzeiro, emissoras de TV aberta, planos de aposentadoria. Exemplos de categorias que sofrem (e continuarão sofrendo) declínio de interesse por parte dos ultrajovens.

Essa tribo – também conhecida como Geração Z ou Pós-Millennials ou GenExit – tem hoje idade entre 18 e 24 anos. São os nativos digitais. Resolvem a vida pelo celular. Estão tão preocupados com as bandeiras universais quanto com suas personas nas redes sociais. Comportam-se como adolescentes, embora já adultos. Tecnologia é como o ar que respiram. Necessária para viver.

São personagens de suas próprias vidas, preocupados com narrativas, contextos, motivações. Estão sempre esperando pelo terceiro ato, que nunca chega. Têm enorme dependência da conexão via smartphone. Essa é sua porta de acesso ao mundo. 43% deles não vão ao banheiro sem o seu celular. A mesma proporção não iria a academia se não pudesse levar o seu.

Estamos na “era da distração”. A abundância de dispositivos conectados à internet está reduzindo a capacidade de concentração dos indivíduos. Isso é resultado da falta de tempo ocioso. Essa turma não se enfada. Se estão na fila do mercado, não precisa esperar, é só sacar o celular e responder a uma mensagem ou dar uma conferida nas notificações das redes sociais e pronto: a fila andou rapidinho.

Essa constante alternância entre a vida real e as plataformas digitais gera um alto nível de emoção e engajamento. Quimicamente esse fenômeno estimula a dopamina, o neurotransmissor do prazer. Quer dizer, os ultrajovens ficam literalmente felizes com essa interação toda. É o regulador do humor. Porém, ao estar constantemente pegando e guardando o celular, o individuo passa a não dar atenção completa a nenhuma das atividades que está fazendo. Prevalece a distração. Pessoas maduras prestam dez vezes mais atenção continua do que os ultrajovens. A performance deles equivale à de uma criança de 3 anos.

Há um estudo recente que compara a capacidade de concentração dos nativos digitais com os imigrantes digitais (adultos). O experimento é observar para onde os participantes olham durante a transmissão de um programa de TV: o celular ou a televisão. Os adultos trocam a atenção 17 vezes (média de 3 minutos de atenção).  Os ultrajovens trocam 27 vezes. Um outro estudo, feito com crianças de 3 anos, mostrou que a troca de atenção entre a TV e os brinquedos é de 33 vezes. Ou seja, os nativos digitais têm uma capacidade de concentração muito mais próxima à de uma criança do que à de um adulto.

Ao mesmo tempo que possuem facilidades como conectar-se com um sem-número de pessoas e informações mundo afora, em segundos – , também encaram os primeiros sinais de alerta dessa exposição, traduzidos em altos níveis de ansiedade e depressão.

Nomophobia (no-mobile-phone phobia) já é uma síndrome identificada em vários estudos sobre o tema. Mais da metade dos usuários demonstra ansiedade quando perde o aparelho, quando fica sem cobertura da rede ou quando a bateria acaba. 20% admitem que seus celulares são a única razão pela qual não dormem o suficiente.

Interessante verificar que a ansiedade se manifesta não só pela distancia dos smartphones, como também pela proximidade. Adolescentes experimentam níveis elevados de estresse, agressividade, depressão e distração, além de baixa autoestima e sono.

A angustia de acompanhar a vida alheia nas redes sociais tem nome: FoMO (fear of missing out).

Na esteira da ansiedade, surge também o perfeccionismo a assombrar os jovens. Comparados com as gerações anteriores, os estudantes universitários de hoje são mais duros consigo mesmos, mais exigentes com os outros e se sentem pressionados a atingir a perfeição.

Escala Multidimensional da Perfeição é o nome de um famoso teste sobre perfeccionismo (desenvolvido pelo psicólogo Randy O. Frost). Dividida em seis dimensões, a escala leva em conta os níveis de preocupação por cometer erros, de rigorosa autocritica e cobrança, de busca por excelência, de percepção de altas expectativas e critica parentais, de duvida sobre a qualidade das próprias ações e de preferencia por ordem e organização. Foram analisados 40 mil universitários, que participaram da pesquisa entre 1989 e 2016. Os resultados mostram um aumento de 10% no perfeccionismo autodirecionado , de 33% no perfeccionismo socialmente prescrito (altos padrões ditados pelas expectativas dos outros) e de 16% com relação a terceiros (padrões que são aplicados a outras pessoas). A principal culpa sobre essa expansão tem endereço: as mídias sociais. Os jovens relatam expectativas educacionais e profissionais cada vez mais irreais para si mesmos. A comparação de cada um com o que se vê nas redes sociais se tornou o grande “ladrão da alegria alheia”.

As redes sociais oferecem os parâmetros aos jovens. Não apenas os de autoavaliação, mas também de informação e diversão. O Brasil lidera o ranking de consumo de noticias pelo Facebook, com 67% de sua população buscando informação prioritariamente nessa plataforma.

Desde o inicio dos anos 2000, pesquisadores de marketing passaram a prestar mais atenção nos aspectos hedônicos e nas expectativas de consumo, sintetizados pelos “três Fs”: fantasy, feelings e fun. Mais recentemente ampliaram ainda mais essa visão e levaram ao reconhecimento dos “quatro Es”: experiência, entretenimento, exibicionismo e evangelização. Dai nasce o “marketing experiencial”. Os indivíduos não apenas recebem experiências de modo multissensorial, mas também respondem e reagem a elas. Com efeito, cria-se a síndrome de “não perder nada do que está acontecendo”, e cria-se um publico sedento por participar e compartilhar.

75% dos jovens valorizam as experiências acima de outros eventos e 48% participam de eventos para compartilhar nas redes sociais.

 

“Ao chegar a algum lugar diferente, só depois de tirar uma foto ‘digna de ser postada’ eu aproveito” (estudante de 20 anos).

 

Conectados, engajados, vegetarianos, os ultrajovens diferem muito de seus predecessores. A parte da diversão que envolve a noite e as drogas tradicionais parece não interessa-los tanto assim. Na ultima década, 10 mil bares e casas noturnas fecharam nos Estados Unidos. Na Inglaterra, quase metade desapareceu. Em São Paulo, entre 2012 e 2015, a diminuição foi de 15%.

O uso de drogas sintéticas e álcool por adolescentes às vésperas da maioridade chegou a seu nível mais baixo desde 1975. Apenas 40% dos estudantes declararam ter ingerido algum tipo de bebida alcoólica. Os jovens estão usando menos maconha e cocaína do que as gerações anteriores. Por outro lado, à medida que as principais drogas de rua se tornaram menos populares, analgésicos e anti-depressivos preencheram esse vácuo: na ultima década, o abuso de opiláceos disparou. O caminho para o vicio geralmente começa com uma receita legal vinda do consultório médico. É importante sublinhar que a bebedeira e o consumo de drogas tem aumentado desde os anos 1950 e somente agora registra-se sinais de involução. Pode-se dizer que há uma nova sensação de sobriedade entre os jovens.

Fora das baladas e usando menos drogas, diminuiu também a pratica de sexo. Os jovens da geração Y relatam ter menos parceiros sexuais que a geração X e os baby boomers em sua juventude. O declínio é significativo nos dois gêneros, mas particularmente entre os homens. Enquanto isso, o consumo de antidepressivos e estimulantes tem crescido assustadoramente, incluindo os jovens. A Ritalina, por exemplo, um medicamento para o tratamento da TDAH (transtorno de déficit de atenção/hiperatividade), pode diminuir o desejo.

No estado de São Paulo, registrou-se uma queda de 20% na emissão da primeira habilitação no ano de 2016. Há uma firme tendência mundial de desinteresse pelo automóvel por parte dos jovens. A venda dos veículos também caiu. Os jovens de hoje já não se deixam seduzir tanto por meios de transporte individuais movidos a gasolina como os jovens desde a década de 1950. Essa mudança começa nas classes mais altas, com maior acesso a taxis e serviços como Uber. De repente o carro ficou obsoleto.

O carro não é o único costume ligado à ideia tradicional de construção de patrimônio que os jovens estão abandonando. As opções de habitação também vêm mudando. Jovens de hoje demonstram 40% a mais de interesse em viver de aluguel do que pessoas nascidas em outras gerações.

Muitos jovens estão preferindo morar com amigos, a casar. Os índices de matrimônios caem progressivamente.

A questão fundamental é que a vida moderna não é tão rígida quanto antigamente. Para os jovens não vale a pena enfrentar a burocracia necessária para possuir bens físicos. É trabalho demais.

Se no século XX a maior indústria reinante era a do automóvel, hoje é a Apple. Para além dos eletrônicos, a geração dos jovens de hoje está trocando bens materiais por experiencias.

Jovens representam 20% da população mundial. Ao priorizar viagens e diminuir a compra de carros e apartamentos, esse comportamento traz grandes implicações para o formato futuro da economia.

Porem, o mais interessante está por vir: as gerações que chegam a partir dos anos 2000, como a geração Z, partirão das experiências da geração Y (anterior) para moldar seus costumes.

 

Prepare-se para assistir a “modernidade liquida”, onde nada foi feito para durar.

 

 

Milton Fontoura

 

 

 

 

Fontes:

 

Census Bureau – EUA

Pew Research Center – EUA

Nielsen

Revista Epoca

OnePoll – Reino Unido

Coupofy – EUA

Psychological Bulletin

Quartz – EUA

Ipsos

Lynx

Bowler

MindMiners

Brookings Institute

Monitoring the Future

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